Poesia, Filosofia e Xadrez

O tempo passa das mais variadas maneiras.

Escorre por entre nossos dedos;
Sangra de nossas feridas;
Estraçalha nossas esperanças;
Impulsiona nossa loucura;
Inflama nossas paixões;
Estupra nossas ilusões;
Caminha silencioso;
Retumba com os trovões;

O tempo é um aliado estranho. O tempo também é um grande professor.

Existem coisas que somente o tempo prova serem superáveis. E existem coisas que nem o tempo, em toda sua grandiosidade infinita, consegue fazer-nos esquecer. E é sobre uma destas coisas que eu alinharei meus pensamentos. É sobre a presença de Inesquecíveis que pretendo falar.

Falemos então, eu e meus outros eus, do irmão-poeta que caminha ao meu lado por entre as brumas do pensamento, por entre os limiares loucos da razão, por entre os mais alucinantes labirintos da provação.

Em nossos duelos travados ao som do silêncio, cujo tempo é marcado apenas pelos tragos resolutos de nossos fumos enquanto batalhamos filosofias e racionalizações das mais diversas e perigosas ordens. No decorrer do tempo [o mesmo tempo de instantes atrás] caminhamos por estradas que nos levaram para lugares distantes, mas, incrivelmente, ao mesmo tempo, parece que nossos pensamentos nunca estiveram tão sintonizados.

Basta-nos um brusco recordar de traços quaisquer para que possamos novamente edificar muralhas inalcançáveis em nossas marcações teóricas e empíricas sobre nossas mais vis e sutis, vastas e retraídas, densas e extensas condições.

Ao poeta-irmão de Campinas, irmão de verso e vela, irmão desbravador de mares cujas tormentas fariam até mesmo o infame Tempo questionar a validez de qualquer ato impensado. Pelos ermos das madrugadas discutimos, eu e o filósofo-poeta, sobre as nossas maiores loucuras; e, em meio a gargalhadas e revelações, constatamos, sempre, que para que o vício do verso seja nobre, não basta apenas ser, basta também sonhar. E de sonhos ninguém poderá, jamais, meu caro, nos privar!

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One Response to “Poesia, Filosofia e Xadrez”

  1. Caramba! Assim ate mesmo um falante inconsequente como eu fico emudecido… Que ainda sejam longos e muitos os nossos dialogos (e, se possivel, muito mais frequentes). Dialeticamente, os nossos respectivos varios eus se concretizam e se destroem nesses necessarios enfrentamentos e concordancias, que tanto ensinam ao originario eu de cada um que assistindo, como que de fora, a teatralidade nossa, produz-se afim de que talvez possa efetivar-se como forca oposta aas tantas contradicoes que nos saltam aa vista – ergo, tais dialogos sao absolutamente necessarios ao futuro da nacao (!).
    Um grande abraco ilustrissimo amigo,
    e nos encontramos em breve,
    Fabio.

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