Sobre os Andarilhos

Dias que passam diferentes.
Dias que passam normais.
Impressões tão indecentes
Impressões tão imorais.

Às vezes o aspecto é um tanto quanto aventuresco. Errar pela madrugada. Vagar errante por um cenário tão pitoresco. Em livros de aventura eu leio sobre heróis que sabem para onde vão. Em livros de história eu leio sobre heróis que jamais sonharam ser o que são. Em livros de loucura [leia-se ‘versos’] eu leio sobre heróis que são o mais sagrado bastião de toda profanação.

Vejo sombras vagando pela noite. Vejo sombras esperando muito de coisa alguma. Vejo sombras que me atormentam pelo simples fato de poderem caminhar. São sombras. Urbanos. Viciados nas desolações das ruas amargas de qualquer madrugada. Não são como nós. Não são andarilhos. São apenas peças que se alinham de acordo com a vontade de outrem, ou de acordo com as mutações irreversíveis do famigerado “Sistema”.

Nas madrugadas, terras selvagens, campos anárquicos, terras de ninguém, vales de dragões tiranos e cavaleiros macabros não há lugar para aqueles que não sabem quem são, ou que também não saibam para onde vão. Mas por estas terras vagam de todos os tipos: andarilhos, perdidos, vazios, urbanos e engrenagens avulsas. Todos somos confinados ao mesmo sol, à mesma lua. Todos somos acometidos dos mesmos medos quando a Sombra impera.

Mas andarilhos somos poucos. Nos aglomerados espalhados pela madrugada, regados a bebida e cigarro, rock n’ roll e jogo, memórias e desmemórias, estamos, sempre que possível, captando a essência do Mistério sob o Luar. Algo que está impregnado em nossas almas, em nossas vontades e motivações. Somos andarilhos dispostos unicamente a uma coisa: andar!

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2 Responses to “Sobre os Andarilhos”

  1. “Já vou, será?
    Eu quero ver.
    O mundo eu sei
    Não é esse lá.

    Por onde andar?
    Eu começo por onde a estrada vai.
    E nao culpo a cidade, o pai.

    Vou lá, andar.
    E o que eu vou ver?
    Eu sei lá.

    (…)

    Se alguém numa curva me convidar?
    Eu vou lá.
    Que andar é reconhecer,
    Olhar.

    Eu preciso andar,
    Um caminho só.
    Vou buscar alguém
    Que eu nem sei quem sou.

    Eu escrevo e te conto o que eu vi,
    E me mostro de lá, pra você.
    Guarde um sonho bom pra mim!

    Eu preciso andar,
    Um caminho só.
    Vou buscar alguém
    Que eu nem sei quem sou.”

  2. - Compostella - Says:

    Andarilhos…

    “Não tenho motivo pra ficar no mundo da luz quando tudo que o sol faz é mostrar o que perdi.
    as trevas são como uma mãe. envolvem e aplacam a dor. É sempre noite aqui. Parece que sou mesmo bem-vindo à noite. Parece que o mue lugar é este ar ameno da madrugada.”

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