Domingo Qualquer

Domingo é dia de fé…
Gente nas ruas, ruas quaisquer…

Dia de exercer hipocrisia…
Falsos santos, falsa dinastia…
Relicários cobertos de ouro saqueado…
Almas em chamas adornam o pecado…

Na fila as boas pessoas se unem à comunhão…
Quando sentam, rezam e pedem perdão…
E sentem-se preparados para mais um novo dia…
Erguido em absurdo, mentira e hipocrisia…

Um pecado perdoado por quem não sentiu a dor…
Dias levados pelos restos e cinzas de um falso amor…
Temor à Deus, um deus que vive do prórpio horror…

Monstros em mantos brancos brincando de perdão…
O horror em suas mentes confinadas à escuridão…
Perseguidos por suas verdades, lavadas a cada confissão…

Nos templos da fé do homem e de seu deus…
Amontoados os ossos dos infiéis e ateus…
Pela lâmina da fé há sangue para cobrir os mares…
Pela lâmina da fé há sombras em todos os lares…

Um crucifixo na parede…
Jesus atado a pregos em dor…
O culto ao sacrifício…
O culto ao horror…

O silêncio na mesa de jantar…
Cada qual em profunda miséria…
O silêncio que nos faz desesperar…
Sombra e pó em cada veia e artéria…

Eu não preciso ir onde querem que eu vá…
Pouco tempo me resta para desperdiçar…
Eu reúno em minha mente as visões de cada dia…
O mais doloroso, o domingo sacro, dia da hipocrisia…

Quais os valores cultuados ao redor do messias morto?
Qual o significado de tantas mentiras em torno da fé?
Minha nau partiu para as tempestades, longe do porto…
Eu sou o que sou, seja domingo ou outro dia qualquer…

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