Os Bons Ventos

Caminho noite afora…
Caminho e fumo.
Seguindo o resto da lua.
Seguindo sem senso, sem rumo.

Pensamentos.
Longos e enevoados.
Todos cheios de tentáculos
vorazes e indecifráveis.

Projeções e especulações.
Mergulhadas na malha urbana;
sedentos de pontos de ruptura.
Vestes sedutoras d’arte sacroprofana.

Sem os deuses, seus otimismos e fé.
Cravado no ato, no chão da guerra.
Percebedor de seu estado, estatelado,
arrancado d’último bem: a terra.

Envolto em massacres da humanidade,
semeados pela opressão da pirâmide.
Bastião maior de alucinante estupro,
a ingenuidade forçada a ser maldade.

Desesperança…
Sensação ignição.

Que torna mágoa em ódio,
ódio em libertação.

Que torna sonho em ferro,
e dá forças nas mãos.

Que torna homens em lobos,
senhores de seu estado-ação.

Há dor… horror…
Lágrimas e sofrimento.
Tal qual um atormentador vulcão,
De cujas cinzas nascem flores-sentimento.

Jardim de tantos restos e manifestos
testemunhas de novos tempos.
Florescem novas histórias,
e já vêm, revoltos, os bons ventos.

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One Response to “Os Bons Ventos”

  1. É preciso sentir para transformar.

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