Reflexos, Escuridão

Vejo reflexos alheios em todos os lugares.
Sensações que são lágrimas.
Lágrimas que não escorrem,
e se equilibram nos olhos,
se equilibram no que sobrou de mim.

Vejo reflexos de felicidades em um mundo diferente…
Um mundo ao qual pareço não pertencer mais.
Ou talvez, não sei, tenha nunca pertencido.

Estariam felizes os jogadores do tempo hoje
pois hoje eu sinto o vento/tempo corroer, erodir mais…
e sinto-me apagado, envenenado, vencido.

Faz pouco sentido o sentimento de engrenagem,
cuja função cumpro ante meus desígnios,
nos quais capturo doses de resto e vida.

Sensação de engrenagem, peça substituível.
Usada nos dissabores de outrem,
como assimilador da dor alheia, passageira.

Reunidor de vastos campos de podridão,
alojados viroticamente na minha alma.
Entristeço…

Anos nos rigores do formato.
Tempos nas esperanças de pouco e nada.
Sonhador que espera dias melhores,
ciente das tempestades vindouras.

Da alvorada ao anoitecer…
Sem histórias, sem novidades…
Sem mentiras, sem vaidades.

Isso… fui eu.
Isso implode essências.
Sou monstro de meus reflexos,
enjaulado nesse tempo.

Artífice de minha condição.
Duelos monstruosos nos reflexos noite afora.
Deitado (in)consciente… no chão.
Mirando o manto absurdo de meu solo sagrado:
a escuridão.

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