Archive for the Impressões Category

Aos Vícios

Posted in Impressões on Friday, October 1, 2010 by Pedro Penido

Quando escrevo penso estar arrancando de mim cada palavra, cada sensação. Tentando cravar meus sentimentos em frases construídas, algumas vezes, sem motivo algum, sem razão. Penso que posso parar… Talvez parar eu realmente possa. Não penso que deva parar, pois este tipo de atitude nem meu verso, nem minha carne, alma ou sangue… nem minha história endossa.

Ainda é estranha a pergunta… Verso é Vício?

Verso e Vício

Verso é vício.
Lâmina selvagem,
sedutora e sensual.

Verso ofício.
Meio e mensagem,
explosão fractal.

Verso omisso,
sem compromisso,
sem dor ou verdade.

Verso furioso,
metódico e saboroso,
carinhosa brutalidade.

Reflexos e versos
são espelhos da civilização.

Verso ofício e vício
que leva ao limiar da paixão,
em loucura leviana e ardente
imersa em indecifrável razão.

Guia e Algoz

Posted in Impressões on Monday, September 27, 2010 by Pedro Penido

Passo a passo.
Rua afora, noite agora.
Cigarro vencendo resto de dia.

Caricaturas.
Trânsito e pressa.
Vida nas ruas.
Não há quem impeça.

Carros e seu tempo contado.
Andantes e seu tempo esgotado.

Outros tantos eus,
manifestos de seus porquês,
indo e vindo como loucos.

Sombras somos nós,
prisioneiros do tempo,
nosso guia e algoz.

Malha Urbana

Posted in Impressões on Friday, September 24, 2010 by Pedro Penido

Entre prédios
a malha urbana;
entre remédios
a falha humana.

Outros que não sabem quem são,
assolados por verdades do poder,
verdades mantenedoras da situação.

Asfalto, pó, pressa e desilusão;
cadáveres nas ruas batendo cartão.

Vícios mergulhados em vícios
numa indústria da desumanização.

Quando o homem vira bicho
e possui o homem a instrumentalização.

E os discursos são de todas as cores;
e as alianças de ódios e amores.

Entre prédios
a malha urbana;
entre remédios
a falha humana.

Reflexos, Escuridão

Posted in Impressões on Friday, September 24, 2010 by Pedro Penido

Vejo reflexos alheios em todos os lugares.
Sensações que são lágrimas.
Lágrimas que não escorrem,
e se equilibram nos olhos,
se equilibram no que sobrou de mim.

Vejo reflexos de felicidades em um mundo diferente…
Um mundo ao qual pareço não pertencer mais.
Ou talvez, não sei, tenha nunca pertencido.

Estariam felizes os jogadores do tempo hoje
pois hoje eu sinto o vento/tempo corroer, erodir mais…
e sinto-me apagado, envenenado, vencido.

Faz pouco sentido o sentimento de engrenagem,
cuja função cumpro ante meus desígnios,
nos quais capturo doses de resto e vida.

Sensação de engrenagem, peça substituível.
Usada nos dissabores de outrem,
como assimilador da dor alheia, passageira.

Reunidor de vastos campos de podridão,
alojados viroticamente na minha alma.
Entristeço…

Anos nos rigores do formato.
Tempos nas esperanças de pouco e nada.
Sonhador que espera dias melhores,
ciente das tempestades vindouras.

Da alvorada ao anoitecer…
Sem histórias, sem novidades…
Sem mentiras, sem vaidades.

Isso… fui eu.
Isso implode essências.
Sou monstro de meus reflexos,
enjaulado nesse tempo.

Artífice de minha condição.
Duelos monstruosos nos reflexos noite afora.
Deitado (in)consciente… no chão.
Mirando o manto absurdo de meu solo sagrado:
a escuridão.

Sinto

Posted in Impressões on Tuesday, September 21, 2010 by Pedro Penido

seguia gallows pole, do led zeppelin, quando no papel caía o que se segue… escorrido…

às vezes eu sinto e… sou.
outras, poucas, sinto e vou.
sinto o que todo mundo sente.
penso que é truque do tempo,
mas o tempo, eu sei, não mente.

dele arranquei dúvidas.
confessei a loucura.
nele encontrei monstros.
encontrei bravura.

mas dói na carne o sentimento.
sinto, escorro…
sinto, sofro, peço socorro.

não vêm mãos ou olhares.
poucos sorrisos no horizonte.
enquanto naufrago no meu tempo.
onde sofri e escorri… e senti.

mantenho minha bandeira.
como sangue novo, escarlate.
resta pouco de humano.

e dói o vazio desta alma imensidão.
imersa na loucura ao som de gallows pole.
enquanto tropeço em busca de paixão,
sinto, sofro, morro, vivo… apenas, agora, sou.

despreendido, entorpecido por veneno e dor.
peçonha dos prédios apertados e muita, muita dor.
encurralado nos labirintos de insana solidão,
flagrado nos limites do absurdo vago amor.

Disperso e Fractal

Posted in Impressões on Tuesday, September 21, 2010 by Pedro Penido

talvez haja sentido.
pode até haver razão.
mas por agora há apenas vontade.
de explodir de chamas o coração.

vontade comedida.
incoerente a atual situação.
quando sofre quem sente.
e ri da dor a própria paixão.

duelo de deuses da essência.
senhores de todas as decisões.
instinto e paixão.
puras emoções.

estados supremos da ação.
fazem romper muralhas.
e chorar a perda de cada irmão.
glória de grandes batalhas.
frente a frente com toda sorte de ilusão.

Ofício Ímpar

Posted in Impressões on Tuesday, September 21, 2010 by Pedro Penido

torno traço o pensamento.
lamentos angustiados.
sonhos para além do horizonte.
e riscos enlouquecidamente apaixonados.

torno traço e verso meu sentimento.
em busca de explosivas revelações.
misturando pecado, graça e rima louca.
colhendo restos de todos os furacões.

desalmados versos que ofendem,
mentem e perfuram minha realidade.

jogo lágrimas no papel.
jogo esperanças no céu.
dos meus versos eu confesso:
sou refém, juiz, carrasco e réu.

deles emanam reflexos;
truncados, vagos, trincados.
relfexos de quem sou.

premonições dos meus passados.
dores vindouras e dias de paz.
meus reflexos… meus outros eus.
simbioses ardentes, outro deus.