Sinto

Posted in Impressões on Tuesday, September 21, 2010 by Pedro Penido

seguia gallows pole, do led zeppelin, quando no papel caía o que se segue… escorrido…

às vezes eu sinto e… sou.
outras, poucas, sinto e vou.
sinto o que todo mundo sente.
penso que é truque do tempo,
mas o tempo, eu sei, não mente.

dele arranquei dúvidas.
confessei a loucura.
nele encontrei monstros.
encontrei bravura.

mas dói na carne o sentimento.
sinto, escorro…
sinto, sofro, peço socorro.

não vêm mãos ou olhares.
poucos sorrisos no horizonte.
enquanto naufrago no meu tempo.
onde sofri e escorri… e senti.

mantenho minha bandeira.
como sangue novo, escarlate.
resta pouco de humano.

e dói o vazio desta alma imensidão.
imersa na loucura ao som de gallows pole.
enquanto tropeço em busca de paixão,
sinto, sofro, morro, vivo… apenas, agora, sou.

despreendido, entorpecido por veneno e dor.
peçonha dos prédios apertados e muita, muita dor.
encurralado nos labirintos de insana solidão,
flagrado nos limites do absurdo vago amor.

Disperso e Fractal

Posted in Impressões on Tuesday, September 21, 2010 by Pedro Penido

talvez haja sentido.
pode até haver razão.
mas por agora há apenas vontade.
de explodir de chamas o coração.

vontade comedida.
incoerente a atual situação.
quando sofre quem sente.
e ri da dor a própria paixão.

duelo de deuses da essência.
senhores de todas as decisões.
instinto e paixão.
puras emoções.

estados supremos da ação.
fazem romper muralhas.
e chorar a perda de cada irmão.
glória de grandes batalhas.
frente a frente com toda sorte de ilusão.

Ofício Ímpar

Posted in Impressões on Tuesday, September 21, 2010 by Pedro Penido

torno traço o pensamento.
lamentos angustiados.
sonhos para além do horizonte.
e riscos enlouquecidamente apaixonados.

torno traço e verso meu sentimento.
em busca de explosivas revelações.
misturando pecado, graça e rima louca.
colhendo restos de todos os furacões.

desalmados versos que ofendem,
mentem e perfuram minha realidade.

jogo lágrimas no papel.
jogo esperanças no céu.
dos meus versos eu confesso:
sou refém, juiz, carrasco e réu.

deles emanam reflexos;
truncados, vagos, trincados.
relfexos de quem sou.

premonições dos meus passados.
dores vindouras e dias de paz.
meus reflexos… meus outros eus.
simbioses ardentes, outro deus.

Então…

Posted in Impressões on Tuesday, September 21, 2010 by Pedro Penido

onde… onde estão?
as histórias deixadas aqui.
onde estão meus dias?
meus momentos?
minha última confissão?

onde estão minha alma,
meus versos, meu coração?

onde estão?

peço que sejam devolvidos,
os poucos traços que restavam,
dos poucos instantes que senti.

onde estão os meus desejos?
onde, por favor, eu peço, eles estão?

quem seria esse monstro?
o que seria essa aberração?
poderia ser um ato meu?
um ato meu???
não… não deve ser não!

e se for?
então…

Olhares

Posted in Impressões on Tuesday, September 14, 2010 by Pedro Penido
Olhos são janelas da alma.
Guardiões de nossas emoções.
Estão nos olhos mensagens silenciosas.
De amantes e enamorados enlouquecidos.
De segredos trancafiados no coração.
Estão nos olhos os segredos da Criação!
Até mesmo o sorriso,
gesto máximo de sincera alegria,
parece perder a força
se afastado do olhar que o ilumina.
Olhares falam solitários,
riem solitários.
Olhares choram e gargalham.
Olhares culpam, questionam.
Olhares reflexos nossos,
agindo por deliberação da verdade;
e não da vontade.
Olhares que eu perdi…
e queria de volta pra mim.
Olhares que eu perdi…
aguardam, sorrindo, antes do fim.

Dias e Dias

Posted in Impressões on Tuesday, September 14, 2010 by Pedro Penido

Dias de sol são tenebrosos para alguns.

Implacáveis, improváveis.

Dias de chuva são deploráveis para alguns.

Molhados, maculados.

Mares de opções e cegas constelações.

Verso em chamas temporal adentro.

Tochas e bastiões da liberdade.

Enquanto eu grito, escrevo.

Enquanto escrevo minha mundanidade.

Os Bons Ventos

Posted in Impressões on Thursday, September 2, 2010 by Pedro Penido

Caminho noite afora…
Caminho e fumo.
Seguindo o resto da lua.
Seguindo sem senso, sem rumo.

Pensamentos.
Longos e enevoados.
Todos cheios de tentáculos
vorazes e indecifráveis.

Projeções e especulações.
Mergulhadas na malha urbana;
sedentos de pontos de ruptura.
Vestes sedutoras d’arte sacroprofana.

Sem os deuses, seus otimismos e fé.
Cravado no ato, no chão da guerra.
Percebedor de seu estado, estatelado,
arrancado d’último bem: a terra.

Envolto em massacres da humanidade,
semeados pela opressão da pirâmide.
Bastião maior de alucinante estupro,
a ingenuidade forçada a ser maldade.

Desesperança…
Sensação ignição.

Que torna mágoa em ódio,
ódio em libertação.

Que torna sonho em ferro,
e dá forças nas mãos.

Que torna homens em lobos,
senhores de seu estado-ação.

Há dor… horror…
Lágrimas e sofrimento.
Tal qual um atormentador vulcão,
De cujas cinzas nascem flores-sentimento.

Jardim de tantos restos e manifestos
testemunhas de novos tempos.
Florescem novas histórias,
e já vêm, revoltos, os bons ventos.